DETALHES DA TURMA
Tópico Especial I
Nome da Disciplina: Tópico Especial I
Carga Horária: 90
Créditos: 4
Obrigatória: Não
EMENTA
Título específico: Uma história ambiental global do capitalismo: ciência, história e evolução da teoria do CO2 /
Cátedra Unesco sobre Desigualdades Globais /
A referência ao carbono – e à descarbonização - ocupam um lugar central na racionalidade dos principais processos econômicos, políticos e sociais do século XXI. A teoria científica sobre o papel central do CO2 na regulação do clima está na base da enunciação da globalidade abarcada pelas interações na atmosfera e da escala planetária do sistema climático terrestre. O "carbono" como métrica de contabilização e racionalização ambiental vem se consolidando como uma infraestrutura epistêmica fundamental no contexto mais amplo do avanço do capitalismo como uma ecologia-mundo. Por sua vez, a construção do regime multilateral para governar a mudança do clima oferece um processo privilegiado para analisar as dinâmicas estruturais de transição e reconfiguração do capitalismo contemporâneo. Em sua origem, o conceito de "clima" surgiu como uma abstração da Natureza e das complexas articulações entre meio ambiente, poder, cultura e ciência no contexto da expansão europeia. As origens do ambientalismo climático ocidental moderno são indissociáveis do colonialismo e da construção de impérios, em um processo no qual a criação de ecologias científicas imperiais produziu, também, naturezas colonizadas. Esta disciplina trata de reconstruir, desde as origens no final do século XIX, a convergência entre a ciência e a política para “governar o clima”, articulando também o fato de que, ao longo deste processo, o carbono foi transformado em ativo financeiro global - e vem se consolidando como nova fronteira da mercadoria (commodity frontier).
BIBLIOGRAFIA
Anker, Peder (2002) Imperial Ecology: Environmental Order in the British Empire, 1895-1945 Harvard, Harvard University Press
Arnold, David (1996) The Problem of Nature: Environment, Culture and European Expansion. Oxford, Blackwell Publishers
Chakrabarty, Dipesh (2009). The Climate of History: Four Theses. Critical Inquiry, v. 35, n. 2, p. 197–222.
Coen, Deborah R. (2018) Climate in Motion. Science, Empire and the Problem of Scale. Chicago, University of Chicago Press
Crosby, Alfred W. The Measure of Reality: Quantification in Western Europe, 1250–1600. [s.l.]: Cambridge University Press, 1996.
Edwards, Paul N. (2010) A Vast Machine: Computer Models, Climate Data, and the Politics of Global Warming. MIT press
Fleming, J. R. (2005). Historical perspectives on climate change. Oxford, England: Oxford University Press
Grove, Richard (1995) Green imperialism: Colonial expansion, tropical island Edens and the origins of environmentalism, 1600-1860. Cambridge, Cambridge University Press
Hulme, Mike (2011) Reducing the Future to Climate: a Story of Climate Determinism and Reductionism. Osiris Vol. 26, No. 1, Klima (2011), pp. 245-266
Liftin, Karen (1994) Ozone Discourses: Science and Politics in Global Environmental Cooperation. New York: Columbia University Press, 257p
Mahony M, Endfield G. (2018) Climate and colonialism. WIREs Climate Change, 9:e510.
Mercer, H., & Simpson, T. (2023). Imperialism, colonialism, and climate change science. WIREs Climate Change, 14(6), e851.
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Nome da Disciplina: Tópico Especial I
Carga Horária: 90
Créditos: 4
Obrigatória: Não
EMENTA
Título específico: Uma história ambiental global do capitalismo: ciência, história e evolução da teoria do CO2 /
Cátedra Unesco sobre Desigualdades Globais /
A referência ao carbono – e à descarbonização - ocupam um lugar central na racionalidade dos principais processos econômicos, políticos e sociais do século XXI. A teoria científica sobre o papel central do CO2 na regulação do clima está na base da enunciação da globalidade abarcada pelas interações na atmosfera e da escala planetária do sistema climático terrestre. O "carbono" como métrica de contabilização e racionalização ambiental vem se consolidando como uma infraestrutura epistêmica fundamental no contexto mais amplo do avanço do capitalismo como uma ecologia-mundo. Por sua vez, a construção do regime multilateral para governar a mudança do clima oferece um processo privilegiado para analisar as dinâmicas estruturais de transição e reconfiguração do capitalismo contemporâneo. Em sua origem, o conceito de "clima" surgiu como uma abstração da Natureza e das complexas articulações entre meio ambiente, poder, cultura e ciência no contexto da expansão europeia. As origens do ambientalismo climático ocidental moderno são indissociáveis do colonialismo e da construção de impérios, em um processo no qual a criação de ecologias científicas imperiais produziu, também, naturezas colonizadas. Esta disciplina trata de reconstruir, desde as origens no final do século XIX, a convergência entre a ciência e a política para “governar o clima”, articulando também o fato de que, ao longo deste processo, o carbono foi transformado em ativo financeiro global - e vem se consolidando como nova fronteira da mercadoria (commodity frontier).
BIBLIOGRAFIA
Anker, Peder (2002) Imperial Ecology: Environmental Order in the British Empire, 1895-1945 Harvard, Harvard University Press
Arnold, David (1996) The Problem of Nature: Environment, Culture and European Expansion. Oxford, Blackwell Publishers
Chakrabarty, Dipesh (2009). The Climate of History: Four Theses. Critical Inquiry, v. 35, n. 2, p. 197–222.
Coen, Deborah R. (2018) Climate in Motion. Science, Empire and the Problem of Scale. Chicago, University of Chicago Press
Crosby, Alfred W. The Measure of Reality: Quantification in Western Europe, 1250–1600. [s.l.]: Cambridge University Press, 1996.
Edwards, Paul N. (2010) A Vast Machine: Computer Models, Climate Data, and the Politics of Global Warming. MIT press
Fleming, J. R. (2005). Historical perspectives on climate change. Oxford, England: Oxford University Press
Grove, Richard (1995) Green imperialism: Colonial expansion, tropical island Edens and the origins of environmentalism, 1600-1860. Cambridge, Cambridge University Press
Hulme, Mike (2011) Reducing the Future to Climate: a Story of Climate Determinism and Reductionism. Osiris Vol. 26, No. 1, Klima (2011), pp. 245-266
Liftin, Karen (1994) Ozone Discourses: Science and Politics in Global Environmental Cooperation. New York: Columbia University Press, 257p
Mahony M, Endfield G. (2018) Climate and colonialism. WIREs Climate Change, 9:e510.
Mercer, H., & Simpson, T. (2023). Imperialism, colonialism, and climate change science. WIREs Climate Change, 14(6), e851.